Como calcular resistor para LED: guia completo com fórmula, tabelas e exemplos
O LED é o componente mais usado por quem começa em eletrônica — e também o que mais queima por ligação errada: ligado sem resistor, ou com um de valor inadequado. A boa notícia é que o cálculo do resistor certo é simples e leva menos de um minuto, com a Lei de Ohm. Neste guia completo você aprende como calcular resistor para LED passo a passo: a fórmula explicada, a tabela de tensão direta por cor, o cálculo pronto para fontes de 5 V, 9 V e 12 V, a potência do resistor e as ligações em série e em paralelo — sempre com exemplos reais de bancada.
O vídeo original sobre o assunto
O vídeo original do post segue no ar e mostra o cálculo sendo feito na prática:
Abaixo, o texto detalha cada passo do cálculo com tabelas prontas para consulta.
Por que o LED precisa de resistor?
O LED é um diodo emissor de luz — ou seja, um diodo que, ao conduzir corrente na direção correta, emite fótons. Como todo diodo, ele não limita a própria corrente: uma vez que a tensão aplicada supera a tensão direta dele (VLED), a corrente sobe de forma descontrolada. Diferente de uma lâmpada incandescente, que tem resistência interna e se autorregula, o LED comporta-se como uma comporta aberta: sem um resistor em série para limitar a corrente, ele passa do limite máximo em milissegundos e queima — às vezes com estalo, às vezes apagando de vez.
Por isso a regra de ouro da eletrônica básica: LED sempre em série com um resistor, calculado para a fonte e para o modelo do LED. Se a família do componente ainda é novidade, o guia de tipos de diodo e para que servem mostra onde o LED se encaixa, e o da diferença entre diodo comum e LED explica por que um emite luz e o outro não.
A fórmula para calcular o resistor do LED
Todo o cálculo é a Lei de Ohm aplicada ao resistor, que "absorve" a diferença entre a tensão da fonte e a tensão do LED, deixando passar só a corrente desejada:
R = (Vfonte − VLED) / ILED
Onde:
- Vfonte — tensão da fonte de alimentação (5 V do Arduino, 9 V da bateria, 12 V da fonte de bancada);
- VLED — tensão direta típica do LED, que varia por cor (tabela na próxima seção);
- ILED — corrente de trabalho do LED, em ampere (20 mA = 0,02 A para o LED 5 mm comum);
- R — resistência, em ohms (Ω).
Exemplo passo a passo: LED vermelho em 5 V
Vamos ao caso mais comum da bancada: um LED vermelho ligado nos 5 V de uma saída do Arduino ou de uma fonte USB.
- Identifique a tensão da fonte: Vfonte = 5 V;
- Consulte a tensão do LED: vermelho tem VLED típica de 2 V;
- Defina a corrente de trabalho: 20 mA = 0,02 A (padrão do LED 5 mm comum);
- Aplique a fórmula: R = (5 − 2) / 0,02 = 3 / 0,02 = 150 Ω;
- Escolha o valor comercial: 150 Ω existe na série E12, então o valor calculado já é o comercial. Na prática, é comum usar 220 Ω para dar folga de segurança — o LED acende um pouco menos, mas dura muito mais.

Perceba a lógica: o resistor "segura" 3 V para que sobrem os 2 V que o LED precisa. Com fonte de 9 V, o mesmo LED exigiria resistor bem maior — a próxima seção traz os valores típicos por cor e a tabela pronta para as fontes mais usadas.
Tensão direta do LED por cor
A tensão direta (VLED) não é igual para todos os LEDs — ela depende principalmente do material semicondutor usado na junção, e é por isso que cada cor tem uma faixa típica:
| Cor do LED | Tensão direta típica (VLED) |
|---|---|
| Infravermelho | 1,2 – 1,6 V |
| Vermelho | 1,8 – 2,2 V |
| Âmbar / amarelo | 2,0 – 2,4 V |
| Verde | 2,2 – 2,8 V |
| Azul | 3,0 – 3,6 V |
| Branco | 3,0 – 3,6 V |

Aviso honesto: estes valores são faixas típicas, não números exatos. Um LED vermelho de um fabricante pode ter 1,8 V e de outro 2,1 V. Quando o datasheet do componente está disponível, sempre prevalece o datasheet; sem ele, use os valores da tabela com folga: resistor um pouco maior nunca queimou LED.
Qual corrente usar no cálculo?
A corrente de trabalho é a outra variável da fórmula, e ela também segue padrões por tipo de LED:
- LED 5 mm comum: 20 mA é o valor clássico de projeto — brilho pleno sem risco;
- LED de alto brilho (high-brightness): 10 a 15 mA já produzem muita luz; além disso o aquecimento reduz a vida útil;
- LEDs SMD (0805, 0603, 0402): costumam trabalhar com menos corrente — alguns em 5 a 20 mA conforme o modelo;
- LEDs de potência (1 W, 3 W ou mais): são outra categoria, alimentados com correntes de centenas de miliampères e exigindo dissipação de calor — não se dimensionam com a fórmula simples deste guia.

Sem datasheet, 20 mA é uma aposta segura para o LED 5 mm comum. Quer confirmar a corrente real do seu circuito? O guia de como medir a corrente com o multímetro mostra como abrir o circuito e medir em série.
Tabela de cálculo pronto: fonte 5 V, 9 V e 12 V
Para os casos mais comuns, a tabela abaixo já traz o resistor calculado e o valor comercial da série E12 mais próximo sempre arredondado para cima — porque mais resistência significa menos corrente, e menos corrente significa mais segurança para o LED. Os cálculos usam ILED = 20 mA:
| Tensão da fonte | VLED do LED | Resistor calculado | Valor comercial E12 (para cima) | Corrente real com o comercial |
|---|---|---|---|---|
| 5 V | 2,0 V (vermelho, âmbar, verde comum) | 150 Ω | 150 Ω | 20 mA |
| 5 V | 3,3 V (azul, branco) | 85 Ω | 100 Ω | 17 mA |
| 9 V | 2,0 V | 350 Ω | 390 Ω | 17,9 mA |
| 9 V | 3,3 V | 285 Ω | 330 Ω | 17,3 mA |
| 12 V | 2,0 V | 500 Ω | 560 Ω | 17,9 mA |
| 12 V | 3,3 V | 435 Ω | 470 Ω | 18,5 mA |
Arredondar para cima baixou a corrente real para algo entre 17 e 19 mA — diferença de brilho imperceptível e margem de segurança contra variações da fonte e do próprio LED. Fonte de outro valor? Aplique a fórmula da seção anterior.
Potência do resistor: o detalhe que queima a protoboard
Escolher o valor em ohms não basta — o resistor também precisa suportar a potência que nele será dissipada em forma de calor. A potência é calculada com:
P = Vresistor × ILED
No nosso exemplo (5 V, LED de 2 V, 20 mA):
- Vresistor = 5 − 2 = 3 V;
- P = 3 × 0,02 = 0,06 W;
- O resistor comum de 1/4 W (0,25 W) — o mais barato e mais vendido — atende com folga de mais de quatro vezes.
E quando precisa de 1/2 W ou mais? Quando a fonte é alta e o resistor fica pequeno: um LED de 2 V em fonte de 9 V com resistor de 150 Ω dá 47 mA e 0,33 W — o resistor de 1/4 W esquenta demais e degenera; o correto é 1/2 W. Regra prática: dimensione a potência com pelo menos o dobro da calculada. Fontes de tensão alta com resistores de baixo valor pedem atenção redobrada — um regulador como o LM317 ajuda a trabalhar sempre com a tensão certa.
LEDs em série: um resistor para o conjunto
Em série, os LEDs dividem a tensão da fonte: as tensões diretas somam. A fórmula fica:
R = (Vfonte − n × VLED) / ILED
Exemplo real: três LEDs vermelhos de 2 V em uma fonte de 12 V:
- Total dos LEDs: 3 × 2 V = 6 V;
- Sobra para o resistor: 12 − 6 = 6 V;
- R = 6 / 0,02 = 300 Ω → comercial E12 para cima: 330 Ω.

O limite prático é a matemática: a soma das tensões dos LEDs precisa ficar bem abaixo da tensão da fonte, para sobrar tensão ao resistor regular a corrente. Quatro LEDs brancos de 3,3 V somam 13,2 V — mais do que uma fonte de 12 V tem: o conjunto nem acende. Em série, todos funcionam com a mesma corrente — boa prática usar LEDs da mesma cor e modelo.
LEDs em paralelo: a regra de ouro que ninguém te conta
Aqui está o erro mais comum — e o mais caro — de quem monta painel com vários LEDs: ligar quatro ou cinco LEDs em paralelo e colocar um único resistor para o conjunto. Não faça isso. A razão é física: como cada LED tem uma tensão direta levemente diferente (mesmo de mesmo lote e mesma cor), o ramo com o LED de menor VLED conduz mais corrente, aquece mais, conduz ainda mais e queima primeiro. Depois de queimado, a corrente dele passa para os vizinhos, que queimam em sequência — o famoso efeito cascata.

A regra de ouro: em paralelo, um resistor por ramo. Cada LED (ou ramo em série) tem o seu próprio resistor calculado, como se fosse um circuito único, e a fonte fornece a soma das correntes — quatro ramos de 20 mA pedem 80 mA. Para controlar brilho com precisão em bancada, potenciômetros como divisor de tensão são uma alternativa elegante a trocar resistores a cada teste.
Como identificar ânodo e cátodo do LED
O LED só conduz — e só acende — quando ligado na polaridade correta. Identificar os terminais é fácil:
- Perna longa = ânodo (+), a perna que vai em direção ao positivo da fonte;
- Perna curta = cátodo (−), que vai ao negativo;
- Chanfro na base da carcaça = lado do cátodo — útil quando as pernas já foram cortadas;
- Plaquinha de circuito impresso: o lado chanfrado do desenho do LED marca o cátodo.
Na dúvida, o multímetro resolve: no modo diodo, ponta vermelha no ânodo e preta no cátodo — o LED acende fracamente, porque a corrente de teste é baixa. Inverta as pontas se não acender; a leitura no display é uma boa aproximação da tensão direta do LED. O guia de como funciona o multímetro detalha o modo diodo e as demais funções.
Ligações úteis na prática
Com o cálculo dominado, estes são os circuitos com LED que você vai montar com mais frequência:
- LED no Arduino (brilho ajustável com PWM): ligue o ânodo ao pino digital do Arduino (ex.: pino 9) através de um resistor de 220 a 330 Ω e o cátodo ao GND. Com analogWrite(pino, valor), valores de 0 a 255 controlam o brilho por PWM — o LED varia de apagado a pleno sem nenhum componente extra. O guia do que é necessário para iniciar com Arduino lista o kit básico para esses testes;
- LED RGB: são três junções (vermelho, verde e azul) no mesmo encapsulamento, com quatro pernas — ânodo comum ou cátodo comum. Cada cor recebe o seu próprio resistor (as três cores têm tensões diretas diferentes!), e misturando os brilhos com PWM você gera qualquer cor;
- Fita endereçável WS2812 (LEDs programáveis): trabalha com 5 V e recebe dados por um único fio; a prática recomendada é um resistor de 300 a 470 Ω em série no pino de dados (protege o primeiro LED dos picos) e GND comum entre controlador e a fita. Para fitas longas, alimentação externa dedicada — os 5 V do Arduino não sustentam dezenas de LEDs acesos.
Os 6 erros mais comuns ao ligar LED
Esta tabela resume o que mais se vê em bancada de iniciante — e a consequência real de cada erro:
| Erro | O que acontece | O correto |
|---|---|---|
| Ligar o LED direto na fonte ou na bateria, sem resistor | Corrente descontrolada: o LED queima em segundos, às vezes estourando a cápsula | Sempre um resistor em série, calculado para a fonte |
| Resistor de valor errado (muito grande ou muito pequeno) | Grande: LED fraquinho, quase apagado. Pequeno: corrente acima do limite, LED apagado para sempre | Usar a fórmula ou a tabela pronta deste guia |
| Um resistor só para vários LEDs em paralelo | Desbalanceamento de corrente queima os LEDs um a um (efeito cascata) | Um resistor por ramo, cada um calculado |
| Ignorar a potência do resistor | Resistor esquentando demais, feder plástico, protoboard marcada ou resistor aberto | P = Vresistor × I, com margem de pelo menos 2× |
| Ligar LED na rede elétrica 127/220 V sem projeto adequado | Choque elétrico — corrente mortal; LED explode. Nunca faça isso | Somente fontes isoladas de baixa tensão (bateria, fonte de bancada) |
| Inverter a polaridade em tensão alta | LED sob tensão reversa acima do limite (geralmente 5 V) também danifica a junção | Ânodo no positivo, cátodo no negativo; em dúvida, teste com multímetro |
Segurança na bancada
Todos os cálculos deste guia valem para circuitos de baixa tensão com fonte isolada — baterias, fontes USB, fontes de bancada ajustáveis e placas como o Arduino. Nunca ligue LED direto na rede de 127/220 V: a tensão da rede é fatal e o circuito exigiria projeto com componentes de potência, fora da eletrônica de iniciante. Prefira fontes com limitação de corrente nos testes — ela salva muitos componentes.
Quer ir além do LED na protoboard?
O cálculo do resistor para LED é a porta de entrada da eletrônica prática — o mesmo raciocínio da Lei de Ohm se repete em divisor de tensão, polarização de transistores, dimensionamento de fontes e muito mais. Se quiser estruturar esse aprendizado com direção e projetos guiados, a vitrine de cursos de eletrônica e manutenção do grupo reúne opções de eletrônica básica a projetos completos, com acesso 100% online.
Perguntas frequentes
Qual resistor usar para LED em 5 V?
Depende da cor do LED: para LED vermelho, âmbar ou verde comum (2 V), o cálculo dá 150 Ω na corrente de 20 mA, e na prática é comum usar 220 Ω para dar folga. Para LED azul ou branco (3,3 V), o calculado é 85 Ω e o comercial recomendado é 100 Ω. A fórmula é R = (5 − VLED) / 0,02.
Posso ligar LED sem resistor?
Não recomendado — em geral o LED queima em segundos, porque nada limita a corrente. A única exceção são circuitos cuja fonte já limita a corrente a menos de 20 mA (alguns pinos e módulos específicos), situação rara em projetos de iniciante. Para qualquer fonte comum (bateria, USB, fonte de bancada), use sempre o resistor em série.
Como saber a tensão do meu LED?
Pela cor: vermelhos usam 1,8–2,2 V, âmbares 2,0–2,4 V, verdes 2,2–2,8 V, azuis e brancos 3,0–3,6 V. Se tiver o datasheet do modelo, use o valor dele — ele é o correto. Na dúvida, o multímetro no modo diodo mostra a tensão direta aproximada no display enquanto o LED acende fracamente.
Um resistor serve para vários LEDs?
Em série, sim: um único resistor serve ao conjunto, desde que a soma das tensões dos LEDs fique bem abaixo da tensão da fonte. Em paralelo, não: cada LED precisa do seu próprio resistor, pois pequenas diferenças de tensão direta entre eles desbalanceiam a corrente e queimam um a um.
Meu LED está fraco, o que faço?
A causa mais comum é um resistor de valor alto demais — confira se ele está calculado para a fonte. Outras causas: fonte fraca ou com tensão abaixo do esperado, corrente de projeto baixa (LEDs high-brightness ficam ótimos com 10–15 mA, mas a 2 mA ficam apagados) e resistores em série somando valores. Meça a corrente real com o multímetro em série e compare com os 20 mA de projeto.