Quais são os tipos de relés e para que servem: guia completo com tabelas

O relé é o componente que deixa um circuito fraco comandar outro de potência maior — com isolamento elétrico completo entre os dois. Você vai entender como funcionam a bobina e os contatos, aprender a identificar os terminais COM, NA e NF, conhecer os principais tipos e ver como testar e escolher o relé certo para o seu circuito.

O vídeo original sobre o assunto

O vídeo original segue no ar, com a visão geral dos tipos de relés:

Abaixo, o texto detalha cada tipo com tabelas e orientações de bancada.

O que é um relé e como ele funciona

Um relé é uma chave comandada eletricamente. Em vez de um dedo apertar um botão, é uma bobina de fio que, percorrida por corrente, vira um eletroímã e puxa uma peça móvel chamada armadura — que abre e fecha os contatos. O circuito de comando (a bobina) e o circuito de carga (os contatos) não têm conexão elétrica entre si: existe apenas acoplamento magnético. Essa isolação galvânica é o coração do relé e a razão de ele existir.

O funcionamento é simples: energiza-se a bobina com a tensão nominal (12 V, por exemplo); o campo magnético atrai a armadura; os contatos mudam de posição; ao cortar a corrente, uma mola devolve tudo ao repouso. Um bom relé repete esse ciclo centenas de milhares de vezes na vida útil. Na prática, ele tem esta carinha: corpo plástico, pinos metálicos embaixo e o desenho do circuito interno gravado na carcaça:

Relé eletromecânico de 12 V de uso geral, com carcaça transparente mostrando a bobinaPartes internas de um relé: bobina, armadura, mola de retorno e contatos

As fotos mostram o componente por fora e por dentro: nas partes internas dá para identificar a bobina, a armadura que ela atrai, a mola de retorno e os contatos — a estrutura básica de todo relé eletromecânico.

Terminais do relé: como identificar COM, NA e NF

Todo relé de contato único trabalha com três terminais essenciais de contato:

  • COM (comum) — o terminal central, ligado mecanicamente à armadura; é quem se move;
  • NA (normalmente aberto) — fica aberto em repouso e fecha quando a bobina é energizada; é quem liga a carga quando o relé aciona;
  • NF (normalmente fechado) — fica fechado em repouso e abre quando a bobina é energizada; serve para desligar algo ao acionar, ou como contato de segurança.

No desenho da carcaça, a bobina é o retângulo com extremidades A1 e A2; os contatos são a linha que toca o NF em repouso e inclina para o NA energizada. A identificação prática vem do desenho da carcaça, do datasheet e do teste com o multímetro. Nos relés automotivos a numeração virou padrão: 85 e 86 para a bobina, 30 para o comum, 87 para o NA e 87a para o NF.

Os principais tipos de relé e para que serve cada um

Relé eletromecânico de uso geral

O mais comum de todos — o das fotos acima. Bobina em 5 V, 12 V, 24 V ou tensão de rede; contatos de miliampères até 10 A ou mais. É o relé das placas, painéis e fontes: barato, robusto e fácil de testar.

Relé de estado sólido (SSR)

Sem bobina, armadura nem contato móvel: a comutação é de semicondutores internos — triac para corrente alternada, MOSFET para contínua. Aciona em milissegundos, é silencioso, não desgasta e aceita comutações muito frequentes — por isso domina o controle de chuveiros, fornos e aquecedores. Limitações: vaza uma pequena corrente mesmo desligado e esquenta mais que um relé comum.

Relé de tempo (temporizador)

Tem um circuito de temporização: ao ser energizado (ou desenergizado), a saída só muda depois do intervalo ajustado. Nas versões analógicas, o ajuste costuma ser um potenciômetro na face frontal. Serve para exaustores com permanência de funcionamento, irrigação temporizada e partidas escalonadas.

Relé térmico de sobrecarga

Protetor de motores: uma resistência em série com o motor aquece um bimetal que dobra com o calor. Quando a corrente fica acima da nominal por tempo suficiente, o bimetal atua e desliga o motor antes que ele queime. Não protege contra curto — isso é função do disjuntor ou do fusível.

Relé de proteção

Vigiam grandezas e tripam quando algo sai da faixa: falta e sequência de fase, subtensão e sobretenção, nível e corrente ajustável — protegem, por exemplo, motores trifásicos contra a perda de uma fase. Em quadros industriais, desligam o conjunto antes do estrago.

Relé automotivo

Versão reforçada, feita para a fiação de veículos: bobina em 12 V ou 24 V e contatos robustos para correntes de dezenas de ampères — faróis, buzinas, ventoinhas e bomba de combustível. A carcaça fechada protege os contatos da vibração, da temperatura e da poeira.

Relé acoplador (relé de interface ou drive)

Relé sobre base com borne, pensado para quadros: a saída de um CLP, sensor ou microcontrolador não tem força para acionar a carga, e o acoplador faz a ponte. Também é chamado de relé drive quando usado como excitador de outras bobinas. Troca-se puxando da base, sem ferramenta.

Relé reed

Uma cápsula de vidro selada com duas lâminas magnéticas: quando um ímã se aproxima — ou uma bobina em volta da cápsula — as lâminas se tocam e fecham o contato. Comuta sinais muito fracos, de microampères, onde um contato comum falharia pela oxidação. É o relé da seleção de escala dos multímetros, dos sensores de proximidade e dos alarmes. Limitação: correntes pequenas, e a lâmina pode vibrar com cargas indutivas.

Tabela comparativa dos tipos de relé

TipoPrincípioUso típicoObservação honesta
Eletromecânico de uso geralBobina + eletroímã + contatos móveisCargas acionadas por sinais de placa, painéis e fontesBarato e versátil; tem partes móveis e comuta em milissegundos
Estado sólido (SSR)Semicondutor interno (triac ou MOSFET)Aquecedores, fornos, comutação frequenteRápido e silencioso; vaza corrente em repouso e esquenta
De tempoRelé + circuito de temporizaçãoAtrasos e permanências em exaustores e irrigaçãoA precisão do atraso depende do modelo
Térmico de sobrecargaBimetal aquecido pela corrente do motorProteção de motores contra sobrecarga lentaNão protege contra curto — isso é disjuntor ou fusível
De proteçãoVigia tensão, corrente, fase ou nível e tripaQuadros industriais e motores trifásicosProtege o ativo, mas exige ajuste correto dos parâmetros
AutomotivoBobina 12/24 V + contatos reforçadosFaróis, buzinas, ventoinhas, dezenas de ampèresRobusto contra vibração; pinos 85/86/30/87/87a
Acoplador (interface/drive)Relé comum sobre base de bornesPonte entre saídas de CLP e cargas em quadrosFacilita manutenção, mas ocupa mais espaço
ReedLâminas magnéticas seladas em vidroSinais fracos, sensores de proximidadeSó correntes pequenas; vibra com carga indutiva

Bobina e contatos: dois circuitos completamente independentes

Ponto que mais confunde quem começa: a tensão da bobina não tem relação alguma com a tensão que os contatos comutam. A bobina pode ser de 5 V de corrente contínua enquanto os contatos comutam 220 V de corrente alternada — sem contato elétrico entre os dois mundos, apenas o magnético. Por isso um relé de 12 V comanda lâmpada de rede, e um relé de bobina 127 V comuta sinais de 5 V.

A bobina é uma carga indutiva — e isso importa no acionamento (o assunto volta na seção sobre diodo de roda livre). Seus valores típicos são 5 Vcc, 12 Vcc, 24 Vcc, 127 Vca e 220 Vca, consumindo dezenas a centenas de miliampères, com polaridade quando é de corrente contínua. Já os contatos são uma chave: sem polaridade, aguentam de milivolts a centenas de volts, da corrente nominal até o pico de partida — o que os limita é corrente, tipo de carga e tensão comutada, nunca a tensão da bobina.

Corrente de contato: do miliampère às dezenas de ampères

Em eletrônica, os relés de uso geral comutam de alguns miliampères — sinais e LEDs — até cerca de 10 A nos modelos maiores de placa. Na automação e no automotivo, relés de potência chegam a dezenas de ampères por contato, e os contatores industriais partem para centenas. A regra é escolher o contato para a corrente de regime e conferir a corrente de partida: motores e lâmpadas incandescentes derrubam, ao ligar, um pico várias vezes maior que a nominal — e é nessa hora que o contato marca ou solda. Carga indutiva também exige folga: comutar um solenoide degrada os contatos muito mais que comutar uma resistência de mesmo valor. Para conferir a corrente real nos contatos, o guia de como medir a amperagem no multímetro mostra como medir em série.

Como testar um relé com o multímetro

Dois testes resolvem a maioria dos casos, com o relé fora do circuito:

1. Teste da bobina no modo ohms

Meça a resistência entre os dois terminais da bobina (A1 e A2, ou 85 e 86):

  • Dezenas a centenas de ohms (tipicamente 70 Ω a 1.000 Ω) — bobina boa;
  • Próximo de 0 Ω — bobina em curto: o relé até aciona, mas drena corrente demais e esquenta;
  • Sem continuidade (infinito) — bobina rompida: relé queimado.

2. Teste dos contatos no modo continuidade

  • Bobina desenergizada: COM–NA deve dar circuito aberto e COM–NF deve dar continuidade (praticamente 0 Ω);
  • Energize a bobina com a tensão nominal (por exemplo, 12 V de uma fonte) e repita: agora COM–NA fecha e COM–NF abre;
  • Se os contatos não mudarem de estado com a bobina energizada, há mecanismo travado, mola quebrada ou contatos destruídos.

O guia de como funciona o multímetro detalha os modos ohms e continuidade. Para energizar a bobina, use fonte com limitação de corrente, como uma fonte profissional de bancada; de uma fonte maior, um regulador como o LM317 entrega os 12 V certos.

O diodo de roda livre (flyback) e as cargas indutivas

Toda bobina acumula energia no campo magnético. Ao cortar a corrente, ela devolve tudo em um pico de tensão invertido — dezenas ou centenas de volts — capaz de furar o transistor, o CI ou a saída do Arduino. A solução é o diodo de roda livre: um diodo comum, como o 1N4007, em paralelo com a bobina e em polaridade reversa — no repouso não conduz; no corte, dá caminho para a corrente da bobina morrer em segurança. Em corrente alternada o diodo não serve (conduziria em um dos semiciclos): o correto é um snubber, uma rede RC ou um varistor. O guia de tipos de diodo e para que servem mostra as famílias; o retificador comum é o tipo usado nessa função. O mesmo vale para qualquer carga indutiva nos contatos: solenoides, contatores e motores pedem supressão e folga.

Relé e Arduino: o módulo de relé

O jeito mais prático de usar relé com microcontrolador é o módulo pronto: traz o relé, o transistor de acionamento, o diodo de roda livre, o LED indicador e, nas versões isoladas, um acoplador óptico. Um pino digital aciona o módulo, o transistor interno energiza a bobina e o contato comanda a carga. Dois cuidados: as bobinas costumam ser alimentadas pelos 5 V da própria placa — serve para um ou dois canais, mas módulos grandes pedem fonte externa; e a carga nos contatos pode ser rede elétrica — os cuidados da seção de segurança valem sempre. O guia do que é necessário para iniciar com Arduino lista o material de base. Quer um LED indicador aceso junto com a bobina? Ele precisa de resistor próprio — veja como calcular o resistor para LED.

Os 6 erros mais comuns ao usar relé

O que mais se vê em bancada de iniciante — e a consequência real de cada erro:

ErroPor que dá problemaO correto
Confundir tensão de bobina com tensão de contatoSão circuitos independentes; escolher um pelo critério do outro gera bobina fraca ou contato fracoBobina para o comando, contatos para a carga — cada um no seu
Subdimensionar a corrente de contatoPartidas de motores e lâmpadas frias derrubam picos várias vezes maiores: contato marca ou soldaContato pela corrente de regime, com folga para o pico
Ligar bobina CA em circuito CC (ou o contrário)CA em CC drena corrente demais e superaquece; CC em CA vibra e não segura a armaduraUse a bobina no tipo de corrente para o qual ela foi feita
Trocar COM, NA e NF na fiaçãoCarga no NF fecha em repouso: o circuito funciona ao contrário e pode queimar o equipamentoIdentifique pelo desenho da carcaça e confirme com o multímetro
Omitir o diodo de roda livreO pico invertido da bobina fura o transistor, o CI ou a saída do microcontroladorDiodo em paralelo com a bobina de CC; snubber, rede RC ou varistor em CA
Alimentar a bobina abaixo da tensão nominalRelé não liga, ou vibra na fronteira com os contatos faiscando até destruirUse a tensão nominal; confira a queda da fonte e do transistor

Segurança: relé e rede elétrica exigem respeito

O relé aproxima a eletrônica de bancada da rede elétrica — e a rede de 127/220 V mata. Quando os contatos comutarem rede:

  • Trabalhe desenergizado: ligue e aperte os terminais com tudo desligado, e só então energize para testar;
  • Use fio e bornes na seção correta para a corrente da carga; terminal frouxo aquece e incendia;
  • Isole o conjunto: o circuito definitivo de rede fica em caixa isolante, com bornes cobertos, nunca solto na bancada;
  • Sem prática com rede, treine em baixa tensão: baterias, fonte de bancada e lâmpadas de 12 V acionam o relé igual, sem risco.

E lembre: uma bobina de 127/220 V também é ponto de rede — trate-a como qualquer tomada da instalação.

Quando NÃO usar relé: o paralelo com transistor e MOSFET

Honestidade de engenharia: o relé não é a resposta para tudo. Ele tem partes móveis, desgasta, faz ruído e não aceita comutação muito frequente — a vida útil cai brutalmente se você ligar e desligar várias vezes por segundo. Para comutação rápida e frequente, semicondutores são a escolha certa: um transistor bipolar resolve chaves de sinal e cargas pequenas, e um MOSFET comanda dezenas de ampères em alta frequência, sem desgaste mecânico. O guia de como funciona um transistor cobre o princípio de base. Resumo prático: precisa isolar dois circuitos, comutar corrente alternada ou acionar algo simples de vez em quando? Relé. Precisa chavear rápido, muitas vezes, ou modular potência por PWM? Semicondutor. Precisa das duas coisas? É para isso que existe o relé de estado sólido.

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Perguntas frequentes

Qual a diferença entre contato NA e NF?

NA (normalmente aberto) fica aberto em repouso e fecha com a bobina energizada. NF (normalmente fechado) fica fechado em repouso e abre com ela energizada. O COM (comum) alterna entre os dois.

Posso acionar um relé de 12 V com 5 V?

Não. A bobina de 12 V precisa da tensão nominal: com 5 V ela não aciona, ou fica vibrando na fronteira, com os contatos faiscando. O contrário também queima — 12 V em bobina de 5 V. Use sempre a tensão nominal da carcaça ou do datasheet.

Como saber se um relé está queimado?

Teste a bobina no modo ohms: dezenas a centenas de ohms é bobina boa; próximo de zero é curto; sem continuidade é bobina rompida. Depois teste os contatos: com a bobina desenergizada, COM–NA aberto e COM–NF fechado; com a bobina energizada na tensão nominal, os estados invertem.

Relé comum ou relé de estado sólido: qual escolher?

Relé comum para custo baixo, isolação total e comutação pouco frequente. SSR para comutação rápida e frequente, silêncio e acionamento de circuitos sensíveis — aceitando vazamento em repouso, aquecimento e custo maior. Para alta frequência, o caminho é transistor ou MOSFET.

Os contatos de um relé de 5 V podem ligar uma lâmpada de 127 V?

Podem — e essa é uma das grandes vantagens do relé: bobina e contatos são independentes, com isolamento galvânico entre eles. O que precisa ser respeitado é a corrente: o contato deve suportar a corrente da lâmpada — a incandescente fria derruba um pico várias vezes maior que a nominal. E vale o cuidado com a rede: trabalhe desenergizado e isole os terminais.